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Lágrima
Data: 11/12/2009
Créditos:
Fundo musical: Why worry. Intérprete: Nana Mouskoury. Composição: Mark Knopler (Dire Straights).
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Ao copiar e divulgar meus textos, imagens, áudios e apresentações em power point slides, dar os créditos devidos e citar meus sites: http://www.clubedadonameno.com e http://www.clubedameno.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Quando uma lágrima insiste em surgir

Se quiser ler com som, clique em àudio, no título "Lágrima", ou neste link: http://www.recantodasletras.com.br/audios/mensagens/27200

Não é olho de choro, não é choro, muitas vezes nem estamos tristes no momento, mas existe algo no olhar de quem tem tristezas embutidas no coração.

Tristezas ou preocupações, seja lá o que for, mas é aquilo que machuca, que dói, que insiste em voltar e aparecer em nosso semblante, tal como a lágrima. Há em todo olhar maduro uma lágrima emanada da alma.

Maturidade, neste caso, não tem a ver com amadurecimento emocional ou espiritual, talvez até o contrário, e sim, com tempo de vida (ou melhor, tempo de percalços na vida). Quanto mais se vive, mais se sofre... e o olhar vai estar lá pra provar isso.

Quantas vezes nós sorrimos a fim de sairmos bem em uma fotografia, não é? Disfarçamos rugas, escondemos o pensamento, camuflamos remorsos, ressentimentos remoídos, isso tudo através de um forçado sorriso (ou um inocente recurso de um sorriso), embora a fotografia denuncie o que vem atrás da imagem que queremos transmitir.

Muitas pessoas têm olhar de máquina fotográfica. Sim, são pessoas que ao nos olhar, mesmo que estejamos dando gargalhadas, vão dizer: "O que está contecendo contigo? O que você tem?". São delatores do que não queremos ver ou encarar, talvez até para a simples sobrevivência do corpo. São nossos espelhos e incomodam - nem sempre era a hora da denúncia do olhar...

A lágrima nos trai, ela é má - não a falsa lágrima teatral, mas a lágrima do coração. Ela não perdoa, surgindo voluptuosa ou tímida nos cantos caídos dos olhos, que viram tantos cantos, mesmo que cantos da boca tentem disfarçá-la.

A pessoa que tenta amadurecer tem os olhos molhados, ao contrário de quem apenas vive por viver e apenas chora, não aprende nada com a lágrima. Essas pessoas esgotam suas lágrimas e o olhar seca, como diziam nossos pais, ao chorarmos quando crianças: "Não chora que teu olho vai secar".

Cientificamente a lágrima é uma proteção para os olhos; serve para hidratar as estruturas do olhos, principalmente aquela camada transparente e fina que cobre os mesmos, a poderosa lente chamada córnea. Toda vez que existe uma agressão aos olhos, a lágrima aparece, mesmo que não queiramos chorar - o corpo se incumbe disso. Músculos muito inteligentes ao redor dos olhos apertam as glândulas lacrimais e lágrimas surgem.

Também choramos de raiva, de alegria, de susto, de nervoso, pois músculos da face em conjunto se contraem, e é isso que ocorre quando ficamos tensos, tristes e... pensamos. Pensar melancolicamente leva ao choro, pois estamos tensos de alguma forma, mesmo que tentemos relaxar.

É verdade que de tanto chorar o olho seca, sim, mas de uma forma lógica: a lágrima tem elementos químicos em sua composição, e se choramos muito e frequentemente, a lágrima perde esses nutrientes. Neste caso, vai demorar um tempo para que ela volte a se recompor. A visão se torna turva e acabamos por causar outros transtornos, além do que provocou o próprio choro.

Filosofica e cientificamente falando, conclui-se que pesares demais prejudicam a visão. Não se recompõe a lágrima com colírio (só disfarçamos a coisa), da mesma forma que o sorriso é apenas um subterfúgio para os olhos úmidos da secura do raciocínio.

Chorar faz bem, entretanto. Chorem sempre que desejarem e estiverem dissonantes da estabilidade emocional, mas aprendamos a proteger nossos "olhares", substituindo lamentáveis pensamentos por outros bons.
Enviado por Leila Marinho Lage em 11/12/2009

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