Clube da Menô

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OUTUBRO ROSA ACABA.
O CÂNCER DE MAMA EVOLUI


Pra mim, pessoalmente, como médica, a campanha chamada Outubro Rosa, que está acabando, é rudimentar, arbitrária, um engodo - mas necessária...

Pelo menos dentre centenas de pessoas no serviço público que podiam ter diagnóstico de câncer de mama em fase inicial, uma boa parte deve se salvar do mesmo, mas não todas as mulheres. Não há como o Brasil, no regime de saúde vigente, prometer prevenção ou diagnóstico precoce (com tratamento precoce) sem haver condição para tanto.

Cada paciente deve ser avaliada pessoalmente, particularmente, sendo acompanhada por GINECOLOGISTA ou MASTOLOGISTA, COM COMPETÊNCIA, não por outros profissionais, tais como clínicos ou enfermeiras. Não dá e nunca vai dar certo! Fora isto, é preciso ultrapassar por burocracias enormes que levam uma paciente ser apenas TRATADA, mas não curada, devido ao tempo, devido à lentidão do SISTEMA, e à negligência, imprudência e imperícia - não só de profissionais de saúde como também do Governo.

O que eu não ENTENDO - E NUNCA VOU ENTENDER - é uma mulher ter realizado a sua mamografia ou ultrassonografia de rotina e não levar para seu medico, o que a acompanha no seus exames, pois ELA LEU O LAUDO E VIU QUE ESTAVA TUDO NORMAL! Este tipo de paciente é assinalada em seu prontuário com tudo que fala. Eu, quando sou a médica, assinalo que eu não avaliei da forma que eu recomendei.

Um tempinho atrás tive um exemplo desses com uma paciente que tem "facilidade" de fazer exames pelo plano de saúde. Pra piorar, ela se acha entendida nos assuntos ginecológicos porque lê muito na Internet e estuda muito. Ela "esqueceu" de me trazer suas mamografia e ultrassonografia de mamas. Ela dizia que veio ao meu consultório apenas pra colher "preventivo"...

Eu a obriguei a me trazer no dia seguinte as imagens das mamas. Ao avaliá-las, discordei completamente dos laudos, ditos de benignidade. Percebi que havia mudanças que não foram relatadas, em comparação com as imagens do ano anterior - fora o exame físico, pois eu observei coisas na palpação e expressão dos mamilos que não existiam antes.

Ela ainda quis discutir comigo e eu a recomendei procurar segundas e terceiras opiniões. Ela foi capaz de me dizer que nem precisava, pois ela sabia que os laudos eram de benignidade e eu estava exagerando - mas que ela ia fazer o que eu indicava, só pra me agradar: core biópsia. 

Laudo: malignidade.

Ela foi operada, retirou apenas parte da mama e não houve necessidade de quimio ou radioterapia. Pelo resto de sua vida - espero ser longa - ela vai ser acompanhada. Não pelo câncer in situ, localizado, mas ela pode ter outro um dia, até mesmo na outra mama.

As mulheres se baseiam pela classificação BI-RADS. Elas acham que classe dois, um, três, zero, quatro etc. são evolução de alguma doença. Nada disto! São códigos entre o radiologista e o especialista. Cada número dá um recadinho. Só o médico, BOM E ATENTO, que acompanha uma paciente, que a examina, que a conhece ou presta atenção às coisas, que saca de medicina, pode direcionar as condutas e dar seu palpite final.

Mesmo assim, os médicos não são deuses, muito menos paranormais! Podemos deixar passar um câncer, pois depenmos de imagens e de protocolos. Nossas condutas estão muito ligadas ao interesse das pacientes e um constante acompanhamento.

A NEURA MODERNA é que atrapalha a coisa! Da mesma forma que devemos escolher médicos peritos, devemos nos resguardar da imprudência e negligência sociais.

O respeito ao paciente e ao médico CERTO é que faz a diferença entre a vida e a morte. Sinal dos tempos.
Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 28/10/2016
Alterado em 28/10/2016
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