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![]() CHALET
Quando a noite vem, o lampião faz sombras nas paredes de madeira, como seres surreais. Na lareira o carvão já se esgota e o frio invade. Um cão deitado no tapete finge dormir, mas suas orelhas acompanham meus movimentos. Ainda percebo o cheiro da fumaça no bule em cima do fogão apagado. Lá fora pássaros da noite, grilos, sapos me embalam. A vida continua na escuridão. A mariposa bruxa vira pingente na janela, ingenuamente escondida pela cortina vermelha. Enrolando-me na cama eu perco uma meia; puxo a cobertor felpudo; sinto o perfume de erva doce no travesseiro. Gotas da chuva que foi embora batem na telha como uma hipnótica canção. Recolho-me, encolho-me. Como embrião eu me esqueço num sono em paz. Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 14/06/2017
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